Nossa visão
No âmbito do software, os processos de padronização mais relevantes estão baseados no modelo RFP (Request For Proposals), que implica na seleção e adoção de especificações baseadas em implementações já existentes ou em avançado estado de desenvolvimento. Esses modelos tem demonstrado com o tempo ser mais eficazes que aqueles processos baseados na existência de comitês de trabalho encarregados de definir especificações sem contar com uma implementação de referência. Podemos afirmar que hoje em dia, a capacidade de qualquer empresa ou entidade de influir nas especificações de qualquer padrão de software está condicionada a que esta possa justificar que suas propostas estão suportadas em implementações de referência.
Apesar dos processos abertos de padronização serem bons, a experiência mostra que nem todos os padrões acabam consolidando-se. Por outro lado, a aposta por padrões que contem com um suporte suficientemente amplo por parte da indústria tem implicado em elevado risco até esta data. Como exemplo, basta considerar o elevado custo pago por aquelas organizações que, durante o período de 1993-1995, apostaram fortemente na adoção de OSF/DCE como middleware padrão sobre o qual apoiar o desenvolvimento de sistemas distribuídos ou por aquelas organizações que, durante o período de 1994-1998, apostaram na adoção de padrões como ODMG-93 (padrão sobre gestão de base de dados orientada a objetos) ou como o CMIP (padrão sobre gestão de elementos de rede). Este risco se acentua tendo em conta que os fornecedores tradicionais de componentes de software (ISVs - Independent Software Vendors) com freqüência retiram seu apoio a qualquer padrão quando não se encontram solidamente posicionados como fornecedores frente à concorrência, criando, se é preciso, alianças com outros fornecedores nas mesmas circunstancias para a criação de padrões alternativos. Este fenômeno de continuo enfrentamento entre fornecedores em áreas não suficientemente consolidadas da plataforma, conhecido como “batalha de padrões”, tem implicado que, até a data, nem a “qualidade” técnica de um novo padrão, nem o apoio por parte dos usuários tenha sido garantia suficiente de suporte por parte da indústria ao longo do tempo. Ao contrario, esperar que um padrão esteja definitivamente consolidado para assegurar assim que sua adoção não implique em riscos, não parece a solução mais adequada, já que implica em renunciar a possibilidade de aproveitar as vantagens diferenciais que pode implicar uma nova tecnologia frente as sua predecessoras.
Nesta situação, o software de código aberto esta se configurando como um instrumento eficaz no momento de acelerar a definição de qualquer padrão de software. Efetivamente, a disponibilidade do código fonte de uma implementação das especificações de um padrão elimina a ambigüidade que possa existir em torno da interpretação de ditas especificações, o que agiliza o processo de padronização enormemente. O impacto neste ponto tem sido reconhecido explicitamente por entidades como o IDA Open Source Software Observatory da união Européia:
Open Source Software (OSS) tends to use and help define open standards and publicly available specifications. OSS products are, by their nature, publicly available specifications, and the availability of their source code promotes open, democratic debate around the specifications, making them both more robust and interoperable.”
Assim mesmo, a disponibilidade de implementações de referencia de código aberto se esta revelando uma ferramenta eficaz na hora de consolidar os padrões de software. Por um lado, a participação no desenvolvimento de projetos de software de código aberto esta aberta a qualquer agente, de forma que o testemunho de quem tenha participado no desenvolvimento e decida abandoná-lo pode ser absorvido por outros membros da comunidade. Isto é possível já que, essencialmente, o código fonte esta disponível. Na medida em que a tecnologia seja adequada e traga um numero suficiente de desenvolvedores com talento ou empresas vejam oportunidades de negocio ao seu redor, existem grandes garantias de continuidade. Neste ponto cabe sinalizar que a barreira de investimento inicial requerida para que qualquer empresa aposte para envolver-se na evolução da implementação de referência de código aberto de qualquer padrão é reduzida (em realidade, a mínima possível) e tem a ver com o esforço necessário para conhecer suficientemente o software já desenvolvido. Por outro lado, quando a implementação de referência de código aberto tenha associado uma licença do tipo permissivo (como Apache) que permita a fabricação de produtos fechados, a aparição de um numero suficiente de produtos que implementam o padrão está melhor garantida, já que a barreira de investimento inicial requerida para desenvolver um produto é muito menor: o investimento empregado no desenvolvimento da parte do software reaproveitado na construção do produto (aquela sobre a qual o fabricante não se propõe a capacidade de diferenciar-se com um desenvolvimento próprio) tenha sido realizado por outros e seu uso não exige contraprestação alguma.
MyMobileWeb é um exemplo de projeto dentro da comunidade Morfeo onde estamos experimentando as premissas que acabamos de mencionar. Este projeto contempla como objetivo impulsionar a definição de padrões que serão chave na materialização do conceito de Web em Movimento. Assim, no inicio do projeto estão se desenvolvendo implementações de referencia de código aberto de especificações dos padrões W3C cujo desenvolvimento pretende-se acelerar e consolidar. Os parceiros envolvidos no desenvolvimento das tecnologias no projeto MyMobileWeb (Telefonica I+D) consideram que o desenvolvimento e padronização de tecnologias que estimulem a proliferação de sites web acessíveis em movimento implicarão em um importante beneficio por meio de rendimentos indiretos (maior demanda na Telefónica Móvil).
Criação de novas oportunidades na integração de soluções
O aparecimento de novos produtos em seguimentos onde já estejam presentes os atuais grandes fabricantes de software é complicado seguindo o modelo tradicional de comercialização de produtos de software que se centra no empacotamento dos produtos, sua distribuição através de canais comerciais e a obtenção de entradas financeiras através de licenças de uso e contratos de manutenção. Neste modelo, o investimento que é preciso realizar em atividades de marketing para tornar o produto conhecido, em atividades de empacotamento do produto ou no desenvolvimento de um canal de suporte e distribuição similar ao dos competidores, é demasiado elevado. A obtenção de um ROI em prazos aceitáveis exige a definição de preços elevados de licença de uso que podem frear os interesses por arriscar-se a provar um novo produto.
O modelo de comercialização associado ao software de código aberto rompe as regras do modelo de comercialização tradicional e abre oportunidades a qualquer novo participante na fabricação de software. Efetivamente:
- O novo participante “libera” seu produto sob uma licença aberta, rompendo as barreiras de entrada com respeito a seu uso nos segmentos de menos capacidade adquisitiva (indivíduos, pequenas e medias empresas) graças ao preço (é grátis).
- Não é preciso esforço em marketing: se o produto tem qualidade, os próprios usuários difundirão suas qualidades (efeito rede). Neste ponto, há que sublinhar que os segmentos de pouca capacidade aquisitiva que adotem em primeiro lugar o produto e difundam suas qualidade podem ser segmentos aos que em nenhum caso o fabricante aspiraria a direcionar-se (inclusive adotando um modelo tradicional de comercialização do software.) Por tanto, a estratégia não significa necessariamente a perda de clientes.
- Não é preciso esforço no desenvolvimento de canais de distribuição: a rede é o canal (o software se baixa diretamente da rede).
- Quando o produto comece a converter-se em uma referência, as grandes empresas começarão a estar interessadas em adotar o produto mas exigirão que este esteja apoiado por serviços (suporte, manutenção, consultoria) que alguém com as credenciais adequadas oferece. Na comercialização deste tipo de serviços diretamente para o cliente ou para terceiros que mantenham a relação direta com o cliente é onde o fabricante localizará os rendimentos que permitem em primeiro lugar cobrir o esforço de fabricação e, mais tarde, colher seus benefícios.
- As licenças abertas não excluem que um produto também se distribua sob licença comercial (pagamento por uso): para versões mais avançadas ou para eliminar certas restrições no uso.
É preciso ressaltar que o novo participante pode ser uma companhia concreta ou um conjunto de companhias que apostam por compartilhar os esforços de desenvolvimento e manutenção de um produto, centrando as oportunidades de negócio nos rendimentos derivados de oferecer serviços, aliados ou em concorrência, a clientes que fazem parte de suas respectivas carteiras.
A dimensão e projeção que o software de código aberto atingiu são indiscutíveis. No entanto, hoje em dia estamos ainda falando de softwares em cujo desenvolvimento não participaram nem estão participando companhias ou organismos de nosso país. Empresas fundamentalmente norte-americanas como RedHat, IBM ou HP estão captando melhor as oportunidades de negócio baseadas na comercialização de serviços ao redor de produtos software de código aberto (serviços de suporte, consutoría, integração de soluções) e isto ocorre não só em Espanha senão no resto de Europa (assim como no Brasil), como chegaram a fazer-se eco membros da própria Comissão Européia4. Estas empresas participam ativamente nas comunidades de desenvolvimento associadas aos softwares de código aberto sobre os que posteriormente desenvolvem sua oferta de serviços, capitalizando as vantagens competitivas que essa participação ativa implica e que desenvolvemos em pontos anteriores.
A ausência de softwares de código aberto relacionados com tecnologias de software básicas cujo processo de estandardização está pouco maduro ainda (tecnologias associadas a Web Services, tecnologias associadas ao conceito de Web Semântica, tecnologias BPM e de workflow, etc) ou em relação com plataformas de suporte a processos de negócio onde não existem produtos alternativos aos comerciais (produtos como Siebel em relação com soluções CRM, SAP em relação com soluções ERP, JD Ewards em relação com soluções de Gestão da Corrente de Fornecimento, MDSI em Gestão de Forças de Trabalho, etc.) constitui uma oportunidade que se pode aproveitar. Aproveitar esta oportunidade passa por impulsionar o desenvolvimento de uma comunidade de software aberto que centre sua atividade em áreas sem explorar como as mencionadas e implique a participação ativa de empresas, universidades e centros de investigação nacionais. Dita comunidade instrumentaria o desenvolvimento de uma indústria nacional de fabricação de tecnologias e softwares que hoje não existe. As empresas implicadas ativamente na comunidade explorariam o tipo de vantagens competitivas que empresas como IBM ou RedHat estão explorando em relação com softwares de código aberto em cujo desenvolvimento participam.
As empresas implicadas no desenvolvimento de implementações de referência de padrões adotando um modelo de software aberto contam com as credenciais necessárias para participar ativamente nos processos de estandardização relevantes e para desenvolver uma oferta de serviços sobre ditas implementações (ou produtos software equivalentes) com máximas garantias para os clientes. Ditas credenciais representam um fator diferencial frente a empresas competidoras que não tenham participado no desenvolvimento de implementações de referência. Empresas como IBM estão adotando uma estratégia nesta linha e estão atingindo um notável sucesso no crescente negócio de serviços ao redor de softwares de código aberto.
É preciso sublinhar que o desenvolvimento de oportunidades de negócio em torno da oferta de serviços sobre as tecnologias desenvolvidas sob uma fórmula de código aberto não se restringe às empresas envolvidas diretamente no desenvolvimento de ditas tecnologias. Neste sentido, é possível experimentar uma promissora fórmula de relação win-win entre as empresas desenvolvedoras da tecnologia e PMEs (Pequenas e Médias Empresas) que estariam implicadas na comercialização mas não diretamente nas atividades de desenvolvimento dentro das comunidades. Neste modelo de relação:
- A PME atua como canal de vendas, em coordenação com as empresas fabricantes da tecnologia, explorando oportunidades de comercializar serviços de suporte e manutenção, consultoria, integração de soluções ou formação entre sua carteira de clientes. Neste ponto, a PME e as empresas fabricantes procurarão esquemas de divisão dos rendimentos derivados da comercialização desses serviços
- Em troca a PME consegue enriquecer a carteira de serviços que podem oferecer baseados em plataformas de software aberto avalizada com alianças estabelecidas com os fabricantes da tecnologia.
Novamente, alguns dos projetos dentro da comunidade Morfeo estão servindo como banco de provas para experimentar a qualidade das premissas anteriores. Concretamente, cabe destacar os projetos relacionados com as plataformas MyMobileWeb, dirigida a facilitar a construção de aplicações e portais web acessíveis desde dispositivos móveis, e SMARTFlow, dirigida a facilitar a construção de sistemas de gestão de expedientes/tarefas. Em ambos os casos, um número crescente de PMEs estão somando-se a realizar atividades de comercialização da tecnologia desenvolvida, em colaboração com as empresas que estão por trás do desenvolvimento da tecnologia.
Impulso ao desenvolvimento de atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
A criação de uma comunidade de software de código aberto que sirva de marco para a realização de projetos de P&D oferece importantes vantagens. Em primeiro lugar, os projetos que se levam a cabo na comunidade se executam “ao vivo e direto” e, por tanto, representam um foro onde os membros da comunidade podem fazer visível facilmente quais são as áreas de pesquisa nas que tem interesse por colaborar com outros agentes tais como empresas do setor e Organismos Públicos de Pesquisa.
Em segundo lugar, a proposta de projetos dentro de uma comunidade de software de código aberto favorece que grupos de pesquisa marcantes no âmbito universitário se envolvam mais facilmente em projetos de P&D de interesse para as empresas. Isto é assim porque o modelo facilita a consecução de objetivos que sem dúvida resultam relevantes para qualquer grupo de investigação como são o reconhecimento da propriedade intelectual sobre os trabalhos realizados e a capacidade de difundir os resultados obtidos. Em relação com o primeiro aspecto, recordemos que nos desenvolvimentos de softwares realizados sob a fórmula de código aberto habitualmente se contempla o reconhecimento da propriedade intelectual sobre o trabalho realizado por qualquer contribuinte ao projeto, inclusive no caso em se contemplem ao mesmo tempo fórmulas que permitam ao fabricante original do produto explorar modelos de licenciamento duais. Em relação com o segundo aspecto, sem dúvida resulta atrativo para um grupo de pesquisa contar com uma plataforma (web site da comunidade onde se leva à cabo o projeto) onde difundir seus trabalhos, acompanhando-os de um selo de aplicabilidade por parte de empresas, sobretudo se tratar-se de empresas que contam com uma posição de marca forte (como é o caso da Telefônica).
Em terceiro lugar, a adoção de um modelo de desenvolvimento de software de código aberto representa uma via para acelerar a disponibilidade de produtos finais derivados de projetos de P&D realizados em colaboração por diferentes agentes. Até a data, fundamentalmente se seguiram dois modelos diferentes à hora de abordar projetos de P&D em colaboração que contemplem o desenvolvimento de software que possa servir de base para a fabricação de produtos ao redor dos quais realizarem uma oferta comercial:
- Em alguns projetos, diretamente não se contempla o desenvolvimento de software final que as empresas envolvidas no projeto possam comercializar. Os desenvolvimentos propostos no projeto têm caráter de prova de conceito ou experimentação e se consideram longe do que um produto final representa: o foco se centra em pesquisar os aspectos unidos à definição de especificações, arquitetura, forma de integrar tecnologias, etc. Cada empresa poderá aproveitar os resultados do projeto como base para a construção de um produto, mas o fará a posteriori, de forma alheia ao consórcio. Este modelo evita problemas de gestão da propriedade intelectual e dos direitos de exploração, modificação ou distribuição do software desenvolvido, mas pelo contrário, supõe um retardo na disponibilidade de produtos comercializáveis.
- Em outros projetos, sim se contempla o desenvolvimento de código fonte integrável em produtos comercializáveis. No entanto, nestes projetos resulta transcendental estabelecer um marco contratual entre os membros do consórcio que precise desde o primeiro momento como vão gerir-se aspectos tais como a propriedade intelectual, ou os direitos de exploração, modificação e distribuição. O maior inconveniente neste caso reside na dificuldade de configurar este tipo de acordos, o que pode implicar um retardo no início do projeto e, por tanto, na aparição final de produtos, quando não um bloqueio definitivo que implique que o projeto não se leve a cabo.
O modelo de desenvolvimento de software de código aberto introduz uma nova alternativa aos modelos citados anteriormente. Os projetos podem contemplar o desenvolvimento de código fonte finalmente comercializável no marco do projeto partindo de um marco claro e bem definido de gestão da propriedade intelectual e dos direitos de exploração, modificação ou distribuição que não é preciso negociar porque já existe: é o marcado pelo tipo de licença de código aberto adotado, como pode ser GNU/GPL. A única condição é que as empresas que participam no projeto tenham assumido que as oportunidades de negócio derivadas de explorar os resultados do projeto não girarão em torno da obtenção de rendimentos via pagamento por uso dos produtos desenvolvidos senão ao redor de outros aspectos (serviços complementares, venda de hardware ou equipamentos onde o software estará instalado, etc.) Como vantagem adicional, este modelo ademais facilita a incorporação gradual de novos participantes no projeto.
A comunidade de software livre Morfeo contempla como objetivo experimentar a qualidade destas premissas atuando como incubadora de projetos de P&D e como campo de experimentação de um modelo de relação win-win entre as empresas e os grupos de investigação (localizados em universidades e centros tecnológicos). Vários são os projetos que se incubaram com sucesso em torno desta comunidade referendando-se a validez das propostas descritas nesta seção, mas se considera preciso seguir avançando nesta via.
É importante destacar que a comunidade Morfeo foi identificada como um dos nós que farão parte da rede paneuropea de centros de competência em desenvolvimento de software aberto que se defina no marco do projeto IP do VI programa marco IST Qualipso. A comunidade de software aberto ObjectWeb, importante referência no âmbito de Servidores de Aplicação Java J2EE, também fará parte desta mesma rede. Esta rede paneuropea pode constituir-se como a “fábrica virtual” onde se desenvolvam implementações de referência de tecnologias e produtos que favoreçam a criação, a exploração e o acesso dos serviços eletrônicos do futuro. Neste ponto, um dos objetivos fundamentais propostos em Morfeo consiste em que um bom número de competências dentro da rede paneuropea Qualipso se localize dentro da comunidade Morfeo.
Conclusões
Optar por desenvolver software sob um modelo de código aberto não significa estar na contramão de desenvolver software sob um modelo que implique o pagamento de licenças de uso. Ambos os modelos são totalmente legítimos e válidos.
Desenvolver software sob um modelo de código aberto simplesmente implica explorar novas formas de fazer as coisas. Novas formas que podem se cristalizar em novas oportunidades que a algumas empresas ou entidades lhes possa resultar mais simples capitalizar.
Morfeo é um projeto de inovação onde empresas, universidades e outras entidades estão explorando as novas oportunidades que pode implicar desenvolver software sob um modelo de código aberto.
1 http://www.dwheeler.com/oss_fs_why.html
2 http://www.libroblanco.com/document/255-2004.pdf
3 “Predicts 2005: Open-Source Software Proliferates” Informe del Gartner Group
4 Discurso de Jesús Villasante, Holland Open Software Conference 2005. Breve nota resumo e link ao atigo publicado por Computer Business Review OnLine disponibles en: http://istresults.cordis.lu/index.cfm/section/news/tpl/news/Briefs/briefs/ID/76994
Página traducida por Marcos Curiel Rosa





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